O Centro de Curitiba abriga espaços que contam a história da cidade. A Santa Casa de Misericórdia, por exemplo, foi o primeiro hospital da Capital e o edifício-sede e a capela foram inaugurados pelo imperador Dom Pedro II no dia 22 de maio de 1880, em frente à Praça Rui Barbosa. Entre salas e corredores centenários, médicos e enfermeiros continuam a salvar vidas, como há 146 anos.
São mais de um milhão de pacientes atendidos por ano no local. Por tudo isso, não existe outro endereço mais adequado para sediar o rico e curioso acervo do Museu de História da Medicina do Paraná. Em três andares da parte mais antiga da Santa Casa, estão expostas 3 mil peças que mostram os primeiros passos da medicina no Paraná, muitos deles dados no próprio hospital.
“Em seus 146 anos, a Santa Casa de Misericórdia tem cumprido a missão fraterna de cuidar de vidas e desenvolver profissionais da saúde. É um patrimônio de todos os curitibanos, por seu papel pioneiro de assistência hospitalar. Sua trajetória se confunde com a evolução da medicina em Curitiba e no Paraná”, afirma dom Diamantino Prata de Carvalho, provedor da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba.
Importância única
Pela relevância à saúde da população, a localização estratégica, no Centro, e o rico patrimônio histórico e cultural, poucos locais reúnem tão bem os objetivos do programa Curitiba de Volta ao Centro quanto a Santa Casa de Misericórdia, avalia o prefeito Eduardo Pimentel.
“A Santa Casa é uma instituição essencial para o dia a dia da cidade, para a saúde das pessoas, e, ao mesmo tempo, um símbolo da história de Curitiba. Tudo isso, no Centro da capital”, diz Eduardo Pimentel.
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História e curiosidades
Inaugurado em 2019, em uma parceira da Santa Casa e Associação Médica do Paraná (AMP), o Museu de História da Medicina do Paraná abriga peças curiosas, como um pulmão mecânico de aço, o primeiro elevador de Curitiba (erguido literalmente à mão) e a primeira farmácia da cidade. “Nas salas que integram o museu, o público conhece a história da medicina do Paraná em medicamentos, equipamentos, instrumentos, livros, fotos e documentos”, explica Fábio André Chedid Silvestre, curador do museu.
A visita começa no jardim do hospital, onde é possível contemplar, além da arquitetura eclética da fachada da Santa Casa, o relógio original alemão, esculturas, bustos e o jardim, um oásis em meio ao corre-corre na região da Praça Rui Barbosa. Todo conjunto é uma Unidade de Interesse de Preservação (UIP).
A seguir, é hora de entrar no amplo hall do prédio, que traz uma combinação refinada de arquitetura e arte sacra. Destaque para a escadaria de mármore, preservada desde o século 19, a efígie de Dom Pedro II e os vitrais artísticos, que poderão ser melhor apreciados quando a visita segue para o segundo andar.
No térreo, estão três espaços do museu. O percurso começa no Salão Nobre, em que é possível apreciar os retratos dos provedores da Santa Casa – entre eles, um quadro de André de Barros (1855-1923), pintado pelo artista paranaense Alfredo Andersen (1860-1935). Ao lado, está a “Curadoria”, onde são expostos documentos históricos, como o livro de fundação da Santa Casa, com a assinatura de Dom Pedro “2º”, e registros encadernados de entrada e saída de pacientes, de donativos e de óbitos.
Farmácia
Ainda no térreo, o visitante vai se encantar pelas curiosidades da Farmácia, a primeira de Curitiba, pioneira na produção de remédios.
Nos armários com mais de 700 frascos de compostos, extratos e medicamentos – muitos ainda lacrados e preservados – estão expostos rótulos que trazem nomes de inusitados princípios ativos usados no início do século 20 para a produção de remédios, como ópio, cocaína líquida, beladona, éter e iodeto de mercúrio.
Depois é hora de subir a escadaria de mármore para apreciar os dois belos vitrais – o primeiro, inaugurado em 1880, com imagens que simbolizam a fé e o assistencialismo, missão da Santa Casa, e o segundo, criação de Poty Lazzarotto, em 1992, retratando São Lucas, padroeiro dos artistas e dos cirurgiões. No primeiro andar, outras atrações do museu e a capela aguardam os visitantes.
Capela
Elogiada por Dom Pedro II, a capela da Santa Casa é repleta de detalhes decorativos religiosos. No altar, estão imagens sacras doadas pela corte do imperador, que em dias de sol recebem iluminação natural de coloridos vitrais. Acima, o teto de madeira marchetada transforma-se em um céu pontilhado de estrelas esculpidas. Além disso, detalhes da construção, como o tipo de tijolo usado nas paredes e a pintura de ornamentação, também são apresentados nesta parte da visita.
O tour pelo museu continua, também no primeiro andar, na Sala Dr. Wittig, espaço em que estão expostos equipamentos emblemáticos da história da medicina na cidade, como um pulmão mecânico de aço, usado principalmente por vítimas de poliomielite que sofriam paralisia nos músculos respiratórios; e um “avô” dos eletroencefalogramas, que emitia os resultados em papel. Essas relíquias foram preservadas pelo renomado médico neurologista e professor Ehrenfried Wittig, responsável por implantar o “Teste do Pezinho” no Paraná.
Elevador
Entre a capela e a Sala Dr. Wittig está o primeiro elevador de Curitiba. Movido a tração humana, todo feito em madeira, o equipamento era usado para transporte de pacientes e funcionava de forma manual, erguido por pessoas. Apenas em 1922, Curitiba ganharia o primeiro elevador movido a energia elétrica, que foi instalado no Paço Municipal, primeira sede da Prefeitura, e que pode ser apreciado até hoje.
Para finalizar o passeio pelo Museu de História da Medicina do Paraná, é hora de visitar o sótão da Santa Casa. O espaço abriga dois cenários: uma sala de cirurgia, com equipamentos das décadas de 40 a 60, e uma enfermaria, reconstituição que presta homenagem às Irmãs de Chambéry, freiras que até os anos 1980 foram enfermeiras na Santa Casa.
Entre os dois cenários, o restaurado motor do relógio da fachada do prédio histórico, fabricado em Munique (Alemanha), em 1877, que em breve voltará a informar as horas a quem passa em frente ao hospital.
Visitas agendadas
Por estar em um hospital que atende diariamente mais de 3 mil pessoas, as visitas ao Museu de História da Medicina do Paraná, incluindo a capela, ocorrem com agendamento, de segunda a sábado, das 9h às 18h30. As reservas podem ser feitas por telefone ou email informados no site do museu.
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Um novo centro
Desde 2025, o programa Curitiba de Volta ao Centro já vem promovendo várias ações para tornar a região central mais segura, acolhedora e atraente para moradores, comerciantes e quem visita ou trabalha.
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Em março deste ano, o programa entrou em uma nova etapa com a regulamentação do inédito pacote de subvenções e incentivos fiscais e construtivos, que somam R$ 163 milhões em benefícios, para impulsionar a revitalização da região central.
Serviço
Museu de História da Medicina do Paraná e capela da Santa Casa de Misericórdia de CuritibaLocal: Praça Rui Barbosa, 694, CentroDias e horários: segunda a sábado, das 9h às 18h30Visitas: por agendamentoMais informações no site do museu (CLIQUE AQUI)
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