Paraná chega a 10 tornados em 2026 e está na segunda região mais propensa do mundo

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Com a confirmação o tornado em Piraí do Sul, na Região de Campos Gerais, o Paraná soma somente neste ano 10 tornados. E há um décimo primeiro fenômeno em análise pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). A região Sul do Brasil — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — constitui, juntamente com o Paraguai, o nordeste da Argentina e o Uruguai, a segunda região do mundo mais propensa à ocorrência de tornados, segundo especialistas. Em primeiro lugar, está o Meio-Oeste dos Estados Unidos, que concentra cerca de 80% dessas formações observadas no planeta.

O tornado em Piraí destruiu 20 casas. A Defesa Civil do Paraná atende à população nesta manhã de domingo (9) Enquanto isso ocorre, uma equipe do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), faz o levantamento dos danos no terreno. Conforme, o boletim emitido pela Defesa Civil na manhã deste domingo, 20 residências foram afetadas na área rural. O local fica a cerca de 30 km do centro da cidade e compreende as comunidades de Capinzal, Jararaca, Fundão e o bairro Santo André, isolado após o tornado.

Um tornado destruiu 20 casas em Piraí do Sul, nos Campos Gerais, na tarde deste sábado, 8 de agosto. A Defesa Civil do Paraná atende à população nesta manhã de domingo. O local atingido fica na área rural a cerca de 30 km do centro da cidade e compreende as comunidades de Capinzal, Jararaca, Fundão e o bairro Santo André.

Ainda que longe do centro da cidade, o fenômeno meteorológico deixou 20 pessoas desalojadas. Todas, estão nas casas de parentes. Apesar disso, não há registro de vítimas. Isso porque, logo após a ocorrência, a Defesa Civil distribuiu lonas para cobrir as estruturas afetadas por destelhamento.

Em Piraí do Sul, as operações são coordenadas a partir de um Posto de Comando instalado no quartel da Brigada Comunitária. Porém, o trabalho é realizado por diversas frentes de trabalho, conforme pontua o boletim da Defesa Civil.

As equipes da prefeitura trabalham nesta manhã a fim de restabelecerem os acessos das comunidades afetadas. Por isso, homens operam, simultaneamente, máquinas para removerem as de árvores e galhos caídos nos trechos de rodovia.

Tornado destrói 20 casas e mobiliza Defesa Civil e Simepar em Piraí do Sul, no Paraná

Após passagem de tornado, Paraná tem novos alertas

Paraná registrou seis tornados em apenas três dias, de 28 a 30 de junho deste ano. Após análises de campo, imagens de drones, satélites, e dados de radar, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou o fenômeno nas cidades de Turvo, Inácio Martins, Nova Cantu, Laranjeiras do Sul, Cruz Machado e Reserva. No dia 28 de junho, a cidade de Reserva foi atingida por um tornado de categoria F2, com potencial para causar danos consideráveis, enquanto Nova Cantu registrou um tornado F1, classificado como de danos moderados. Em 30 de junho, foram confirmados tornados F1 em Turvo, Laranjeiras do Sul e Inácio Martins. Um segundo tornado também atingiu Inácio Martins e avançou até Cruz Machado, mas não recebeu classificação porque não houve registro de danos. No início do ano, outros três tinham sido identificados em Mercedes e São José dos Pinhais, em janeiro, e em Foz do Iguaçu, em fevereiro.

Cidades no Paraná já atingidas por tornados neste ano

Turvo

Inácio Martins

Nova Cantu

Laranjeiras do Sul

Cruz Machado

Reserva

Mercedes

São José dos Pinhais

Foz do Iguaçu

Nova Cantu

Paraná está no corredor dos tornados

O consultor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Francisco Mendonça, afirmou em entrevista ao Bem Paraná que o Sul o Brasil, onde está o Paraná, fica geograficamente localizado em uma área considerada o segundo maior corredor do mundo para a ocorrência de ventos extremos, como ciclones, furacões e tornados. O primeiro fica na região central dos Estados Unidos.

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“O Paraná está em uma área geográfica de ocorrência de ventos extremos, sobretudo ao longo das calhas dos rios Iguaçu e Paraná, além da foz, no Oeste do Paraná, Oeste Catarinense, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul”, explica Mendonça que é geógrafo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). As regiões apontadas são mais planas e extensas. Por isso, mais propícias a esses fenômenos. São locais planos, em que o vento consegue atingir maior velocidade, resultando em movimentos turbilhonado e espiralado, que causam ciclones e furacões.

“Já, os tornados são muito menores e atuam em pequenas localidades, como este que ocorreu em São José dos Pinhais. O fator mais expressivo que leva a entender ou acreditar que aumentou este tipo de fenômeno no Paraná tem a ver com relações climáticas e meteorológicas globais,” afirma Mendonça.O ano de 2025, de acordo com o consultor, registrou o maior aumento da temperatura da água dos oceanos. Ele ressalta que as águas dos oceanos Pacífico e Atlântico Sul não resfriaram na passagem do ano de 2025 para 2026. “A gente está num momento ainda de dias muito quentes e a água marinha ainda está muito aquecida. O que faz com que aumente a disponibilidade de energia na atmosfera e os ventos circulem cada vez mais velozes, formando ciclones e tornados”, explica.

Paraná viveu tragédia no fim do ano passado

Em novembro do ano passado, um tornado F4 devastou Rio Bonito do Iguaçu, com ventos estimados em até 400 km/h. Seis pessoas morreram em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava. Mais de 800 pessoas ficaram feridas.

Registros eram raros até o início dos anos 2000

Com doutorado em meteorologia pela Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, Ernani Nascimento, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em Cachoeira Paulista (SP). afirma que pesquisas sobre tornados eram relativamente raras no Brasil até o início dos anos 2000, mas desde então ganharam impulso a partir de uma nova geração de especialistas.

“Até cerca de 30 anos, havia trabalhos isolados, como os da professora Maria Assunção Faus da Silva Dias, da USP, uma das pioneiras na documentação de tornados no Brasil”, afirma Nascimento.

O primeiro registro fotográfico de um tornado no Brasil foi produzido em 1975 pela Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A imagem mostra uma coluna em forma de funil durante uma tempestade na região.

O avanço no conhecimento sobre o fenômeno permite incrementar o monitoramento de eventos e desenvolver políticas públicas capazes de evitar ou reduzir danos humanos e materiais, conforme os pesquisadores.

O El Niño (fenômeno pelo qual a temperatura da água do Oceano Pacífico se eleva, provocando instabilidade no sul do Brasil, e que deve ocorrer pelo menos até o final deste ano), nas palavras de Rachel Albrecht, “coloca mais combustível na atmosfera”.

“Estamos assistindo a um aumento do número de tempestades severas. Se isso é consequência do El Niño, só saberemos mais para a frente, mas é provável que sim. Os anos de El Niño são mais ou menos um prenúncio de como será a mudança climática”.

O que são tornados?

Tornados são colunas giratórias de ar que se estendem das nuvens até o solo durante tempestades severas. Caracterizam-se pela alta velocidade dos ventos e pela curta duração (até 30 minutos), com alto potencial destrutivo.

Como os tornados são classificados?

A Escala Fujita (ou Escala Fujita-Pearson) foi desenvolvida em 1971 para classificar a intensidade dos tornados com base nos danos causados a estruturas e vegetação, e não pelo seu tamanho.

F0: ventos entre 65 km/h e 116 km/h — danos leves

F1: ventos entre 116 km/h e 180 km/h — danos moderados

F2: ventos entre 180 km/h e 253 km/h — danos consideráveis

F3: ventos entre 253 km/h e 332 km/h — danos severos

F4: ventos entre 332 km/h e 418 km/h — danos devastadores
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