Aniversário de Guga Kuerten: Dona Alice e Rafael Kuerten recordam conquistas nos 50 anos do ídolo

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O ex-tenista Guga Kuerten completa 50 anos de idade em 10 de setembro de 2026, marca celebrada por sua mãe, dona Alice, ao resgatar a lembrança da homenagem recebida em Lisboa no dia 3 de dezembro de 2000, logo após o filho vencer a Masters Cup e assumir o topo do ranking mundial. A matriarca detalhou memórias da trajetória do tricampeão de Roland Garros durante as comemorações da data.

Dona Alice declarou que o filho preserva o mesmo comportamento do início da vida: “Ele continua sendo um menino até hoje, com suas travessuras, vontade de brincar e agradar às pessoas. Esse é o nosso Guga. Agradeço a Deus pelos três filhos que tive. Como ele é o aniversariante, só tenho a agradecer as homenagens que ele me fez. Aquela em Lisboa foi uma surpresa incrível, nem acreditei na hora, só depois, vendo os vídeos. Foi algo que marcou muito”.

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O treinador Larri Passos assumiu a função de mentor e figura paterna na vida do atleta catarinense a partir de 1985, quando Aldo Kuerten, pai do esportista, morreu devido a um ataque cardíaco enquanto atuava na arbitragem de uma competição juvenil.

A perda do marido, que morreu aos 41 anos, impôs dificuldades para dona Alice. Em 2007, a família enfrentou o falecimento do filho caçula, Guilherme, aos 28 anos, vítima de complicações de uma paralisia cerebral. Dona Olga, avó do tenista, morreu aos 94 anos.

Influência do irmão mais velho na formação do atleta

Rafael Kuerten exerceu papel de referência direta nas decisões e no desenvolvimento esportivo do irmão mais novo durante toda a infância. Os estudos eram prioridade.

A matriarca detalhou a convivência e as exigências escolares dos dois garotos: “Ele queria sempre ser igual ao Rafa, o modelo dele era o irmão. A gente perguntava uma coisa, e ele respondia: igual ao Rafa. Os dois não brigaram, eles competiam, brincavam. Eles sempre quiseram praticar o esporte, mas sabiam havia algumas regras. Uma delas era estudar, passar de ano e aprender”.

O atleta catarinense construiu sua relação com o público sustentado por características de empatia e simplicidade reconhecidas pelos familiares. Casado com Mariana Soncini e pai de Maria Augusta e Luiz Felipe, ele mantém essa postura no convívio diário com os torcedores.

O encerramento oficial da carreira profissional aconteceu em maio de 2008 nas quadras de Roland Garros devido a problemas no quadril direito, três meses após sua participação de despedida no Brasil Open.

Dona Alice observou que a reação do público continua constante: “Até hoje quando as pessoas o encontram, pedem autógrafo, foto, ele procura agradar, sabe o quanto é importante. A carreira foi uma coisa que passou, mas, para os outros, parece que foi ontem. E posso dizer que o Guga não mudou em nada, segue com o mesmo temperamento, garra”.

Antes da conquista em Portugal, a família estruturou o Instituto Guga Kuerten, entidade comandada por dona Alice para iniciativas sociais. O projeto organiza a Semana Guga Kuerten desde 2009 em Florianópolis com disputas voltadas a cadeirantes e jovens tenistas.

A presidente da instituição definiu o objetivo dos projetos mantidos em Santa Catarina: “O sucesso da carreira dele reforça um lema que sempre tive: de ser alguém para alguém. É momento de compartilhar as coisas, por isso criamos o instituto, através dele fazemos muitas ações aos próximos, seja nos projetos, nos atendimentos, quando temos ações emergenciais, em tragédias, desastres naturais. Estamos sempre atentos para ajudar”.

Início esportivo e memórias de infância em Florianópolis

As primeiras práticas esportivas dos irmãos aconteceram nas quadras e instalações da Astel, clube de Florianópolis onde disputavam partidas de tênis, futsal, basquete, bocha e boliche.

Rafael Kuerten relembrou os momentos de lazer compartilhados na capital catarinense: “Falar sobre o Guga é um sempre prazer muito grande para mim. Desde pequenos já éramos muito ligados e , adorávamos fazer muito esporte, brincadeiras de desafios. Uma delas era subir em árvores ou em pedras, enfim, sempre na natureza, ao ar livre, em Florianópolis . E eu sempre o desafiando. Como sou três anos mais velho, pra mim subir em uma pedra, às vezes, era mais fácil. E ele ficava ali tentando. É uma lembrança muito gostosa que tenho da noss infância”.

O ex-número 1 acumulou 20 troféus de nível simples durante a trajetória profissional, incluindo o tricampeonato em Roland Garros nos anos de 1997, 2000 e 2001. A conquista da Masters Cup de Lisboa fechou a série de triunfos marcada pelo gesto direcionado à dona Alice.

O irmão falou sobre os princípios transmitidos ao longo das competições: “O Guga sempre defendeu a importância da família e isso foi fundamental. Mais do que um campeão, o número 1 do mundo, ele levou esse respeito pelos mais velhos, pela avó, pela mãe, irmãos, treinador. Então esse é seu principal legado: a simplicidde, humildade, respeito, que a gente usa muito até hoje, com filhos e a Escola Guga”.

O retrospecto profissional contabilizou 358 vitórias, tendo como principais partidas os confrontos vencidos diante dos norte-americanos Pete Sampras e Andre Agassi durante a decisão e a semifinal em Lisboa.

Rafael Kuerten resumiu a fase vivida pelo ex-atleta fora do circuito competitivo: “Sou muito feliz pela felicidade dele hoje, porque não se prendeu ao circuito, aos títulos. Ali foi um momento das nossas vidas, e hoje é outro, com os filhos, em família. É tempo de ensinar, de passar para os outros que o caminho existe, e você pode ser vencedor. É para isso que a gente está aqui: para primeiro vencer e depois compartilhar para que outros vençam também”.