Quem faz parte da família?

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Quando alguém procura uma Constelação Familiar, muitos imaginam que o terapeuta começará perguntando sobre conflitos, traços de personalidade ou comportamentos difíceis. Bert Hellinger segue outro caminho. Sua primeira pergunta é outra: quem pertence a essa família? A partir daí, procura identificar quem abriu espaço para os que vieram depois e quem, por alguma razão, foi esquecido ou excluído.

A evolução da Constelação Familiar

Essa forma de trabalhar acompanhou a evolução das Constelações Familiares. No início da década de 1980, Hellinger conduzia cada movimento de maneira bastante direta. Anos depois, com os Movimentos da Alma, passou a intervir menos, permitindo que os representantes revelassem espontaneamente dinâmicas até então ocultas. Mais tarde, nos Movimentos do Espírito, sua intervenção tornou-se ainda mais discreta, confiando no que emergia do próprio Campo Fenomenológico.

Hoje, a maior parte das Constelações Familiares reúne características dessas diferentes fases. Há uma pessoa que apresenta uma questão, representantes para os membros da família e um terapeuta que acompanha o processo, intervindo apenas quando necessário.

O foco nos acontecimentos familiares

Antes da Constelação propriamente dita, o terapeuta procura identificar quem pertence ao sistema e conhecer acontecimentos marcantes da história familiar: mortes precoces, suicídios, separações, divórcios, acidentes, doenças graves, incapacitações e desaparecimentos. O interesse não está em opiniões ou julgamentos sobre as pessoas, mas nos fatos que deixaram marcas na família.

Essa é uma das contribuições mais originais de Bert Hellinger. Em vez de buscar culpados ou explicar comportamentos, ele dirige o olhar para os acontecimentos e para a forma como continuam atuando nas relações familiares. Muitas vezes, aquilo que foi silenciado ou excluído permanece exercendo influência sobre as gerações seguintes.

O que uma família esquece nem sempre desaparece. Às vezes, apenas espera que alguém lhe devolva um lugar na história.

JOSÉ LUIZ AMES E ROSANA MARCELINO AMES são consteladores familiares e terapeutas sistêmicos e conduzem a Amparar

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