Governo quer recuperar mais de R$ 1 bilhão de bets ilegais para a segurança pública

0
4

Portaria do Ministério da Justiça regulamenta o processo de recuperação de valores bloqueados de operadores irregulares, com destino ao Fundo Nacional de Segurança Pública

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) regulamentou o procedimento administrativo que pode viabilizar a retomada de mais de R$ 1 bilhão (cerca de US$ 195 milhões) em valores bloqueados de operadores ilegais de apostas de quota fixa no Brasil, as chamadas bets. A medida está prevista na Portaria nº 1.287/2026, assinada em 2 de setembro pelo ministro Wellington César Lima e Silva.

A norma cria, pela primeira vez, um fluxo formal para os processos preparatórios de perdimento desses recursos, ou seja, o caminho jurídico necessário para que dinheiro hoje bloqueado por suspeita de irregularidade possa, ao final de todas as etapas, ser incorporado ao patrimônio da União.

Como funciona o processo de recuperação dos valores

O procedimento é conduzido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), por meio da Diretoria de Gestão do Fundo Nacional de Segurança Pública. A Senasp recebe os expedientes encaminhados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, analisa a documentação de cada caso e profere uma primeira decisão administrativa.

A empresa apontada como irregular tem direito a apresentar defesa, com prazo de 15 dias. Se a decisão for desfavorável à operadora, ela ainda pode recorrer em até dez dias, recurso que é julgado diretamente pelo próprio MJSP. Somente se essa etapa interna confirmar a irregularidade, o caso segue para a Advocacia-Geral da União (AGU), responsável por levar a questão ao Judiciário, já que apenas uma decisão judicial pode autorizar a transferência definitiva do dinheiro para o Estado. Ou seja, o fim do processo administrativo não significa perda automática dos valores para a empresa.

A portaria também prevê um desdobramento: se, durante a análise, o MJSP encontrar indícios de outros crimes, como lavagem de dinheiro ou sonegação fiscal, as informações são encaminhadas à Polícia, ao Ministério Público ou à Receita Federal para que novas investigações sejam abertas separadamente.

Para onde vai o dinheiro recuperado

Segundo a portaria, os valores efetivamente recuperados serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), com prioridade, sempre que possível, para transferências obrigatórias aos estados e ao Distrito Federal no modelo fundo a fundo.

O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, descreveu o objetivo da medida como uma forma de “retirar recursos da atividade ilegal e convertê-los em estrutura, tecnologia e capacidade operacional” para quem combate o crime. Já a diretora de Gestão do Fundo Nacional de Segurança Pública, Camila Pintarelli, chamou a portaria de “um passo concreto para transformar os danos causados pelas bets ilegais” em investimento em segurança pública.

O risco de apostar fora da legalidade

O caso reforça uma distinção que costuma passar despercebida por quem aposta: dinheiro depositado em uma casa sem autorização da SPA/MF não tem as mesmas garantias de uma operadora legalizada, e pode inclusive ficar bloqueado judicialmente, como mostra o processo agora regulamentado pelo MJSP. Antes de criar conta em qualquer plataforma, vale a pena entender a diferença entre casas de apostas legais e ilegais no Brasil, já que apenas operadoras com licença ativa junto à Secretaria de Prêmios e Apostas garantem saque, suporte e segurança jurídica ao usuário.

O post Governo quer recuperar mais de R$ 1 bilhão de bets ilegais para a segurança pública apareceu primeiro em O Paraná – Jornal de Fato.