Calceteiros já trabalham no novo calçadão da Praça Eufrásio Correia, no Centro de Curitiba. Cerca de 220 toneladas de pedras de basalto e calcário serão utilizadas para formar 1.820 m² de calçadas da região. Os desenhos acompanham os padrões presentes nas calçadas do entorno e ajudam a preservar as características históricas da praça que é tombada.
A calçada de petit-pavé, técnica de tradição portuguesa que se tornou um dos símbolos de Curitiba, estará em frente à antiga estação ferroviária, trecho onde antes ficava a pista lenta da Avenida Sete de Setembro no sentido Praça do Japão, entre as ruas Lourenço Pinto e Barão do Rio Branco. O calçadão será composto ainda de calçada em concreto com acessibilidade e ciclofaixa em asfalto para ciclista.
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“Com o calçadão, a praça ganha um novo desenho paisagístico e novas conexões entre diferentes modais, estimulando os deslocamentos a pé sem alterar suas características históricas”, afirma Luiz Fernando Jamur, secretário municipal de Obras Públicas. Tombada pelo Governo do Estado desde 1986, a praça, que data de 1885, tem reconhecida importância histórica, urbana e paisagística.
A implantação do novo calçadão faz parte das intervenções do Lote 2.3 do BRT Leste/Oeste e integra o PRO Curitiba, o programa de requalificação e obras do município. A requalificação inclui ainda nova iluminação, paisagismo e a reformado do trecho de calçadas da Rua Barão do Rio Branco entre as avenidas Sete de Setembro e Visconde de Guarapuava.
Trabalho com ritmo próprio
O trabalho dos calceteiros tem um ritmo próprio e as imagens formadas são o resultado de escolhas precisas. Em poucos segundo, uma pedra é testada, outra é deixada de lado, uma terceira encontra o encaixe certo com o auxílio do martelo que bate quase em sincronia. É assim que o desenho vai ganhando forma sob as mãos de quem aprendeu a reconhecer no olhar qual peça pertence a cada espaço.
Um dos responsáveis pelo mosaico é Gilberto Lopes, especialista em petit-pavé. O ofício foi aprendido quando ainda era criança, em Ponta Grossa. Desde então, ajudou a construir calçadas em diferentes pontos de Curitiba. Entre elas, estão as do entorno da Praça Eufrásio Correia e do Shopping Estação, onde trabalhou há mais de 30 anos.
“Eu amo o que eu faço. Esse é um ofício que está acabando, eu viajo para muitos lugares porque há pouca gente trabalhando ainda nisso. Já fui filmado e fotografado trabalhando e foi com esse ofício que eu criei a minha família”, conta Lopes.
Edson Luiz Faria trabalha há mais de 50 anos com a construção de calçadas de petit-pavé. Entre os trabalhos que levam sua marca estão os desenhos das calçadas da Rua XV de Novembro, da Rua Barão do Rio Branco e da Praça Carlos Gomes, que é a sua preferida.
“Eu acho que ficou muito bonita e essa aqui vai ficar assim também,”, diz o calceteiro que começou como ajudante de uma empresa, foi aprimorando a técnica e, ao longo dos anos, tornou-se referência para outros colegas de profissão. Hoje, também ensina boa parte dos calceteiros de Curitiba.
Observar o trabalho de Edson encanta. A mão busca a pedra, os olhos conferem o formato e, em poucos segundos, vem a decisão sobre onde ela deve ser encaixada. Algumas peças são deixadas de lado porque não têm o tamanho ou o formato adequado.
“A gente assenta os desenhos com o molde e daí vai colocando as pedras. Vai escolhendo as melhores, a face, o lado certinho e tal, onde elas encaixam melhor, e vai colocando. Aí, no final, ela é socada e depois é rejuntada com areia e cimento. A nossa dificuldade é se chover, porque o solo tem que ser seco para a pedra parar no lugar certinho”, explica Edson.
Entre os profissionais que aprenderam com ele está Ilson Pereira, parceiro na obra da Eufrásio Correia. Para ele, além da técnica, é preciso concentração.
“Tem que cuidar para não martelar o dedo. Isso, para mim, é como uma terapia. Eu fico aqui e esqueço do que está em volta”, diz Pereira.
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